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O leilão mediático da coleção de Rudi Klein com três Lamborghini Miura (e meio)

Carros clássicos Lamborghini Miura estacionados em exposição num espaço moderno iluminado.

A coleção automóvel reunida por Rudi Klein acabou por dar origem a um dos leilões mais falados de sempre - não por incluir máquinas especialmente exóticas, mas sim pelo estado em que praticamente todas sobreviveram. Entre os lotes mais apetecíveis surgem três Lamborghini Miura… e ainda uma parte de outro.

Em 1967, Klein criou a sua empresa no sul de Los Angeles, nos EUA. O negócio assentava, desde o primeiro dia, na compra de veículos sinistrados - na maioria das vezes adquiridos a seguradoras - para depois os desmontar e vender as peças.

Apesar do lado empresarial, Klein era também um entusiasta fervoroso, o que o levou a reservar para si alguns dos exemplares mais especiais que lhe passavam pelas mãos. A preferência recaía muitas vezes em Mercedes-Benz e Porsche, mas na sua seleção entraram igualmente Aston Martin, Bentley, Ferrari, Lamborghini e Rolls-Royce.

No fim da década de 70 e no início dos anos 80, os valores destes clássicos estavam muito longe dos preços praticados hoje. Muitos dos carros que Klein guardava - ou aquilo que deles restava - conseguiam comprar-se por pouco mais de 200 dólares (cerca de 180 euros). Assim, quase nenhum foi restaurado: na época, um restauro custava largamente mais do que o valor de mercado do próprio automóvel.

Mesmo fora dos barracões do espaço de Rudi Klein, ainda é possível ver várias carroçarias de Porsche 911 e 356, entre outros. Houve um tempo em que estas instalações chegaram a acolher mais de 1000 carros; agora, contam-se menos de 200.

Os automóveis de eleição de Klein não ficaram entregues ao tempo. Os seus «preferidos» foram colocados numa zona mais abrigada e pouco visitada - ainda assim, durante quase meio século. É nesse núcleo que aparece um trio de Lamborghini Miura.

1967 Lamborghini Miura P400

Entre os três exemplares visíveis nas imagens, o Miura vermelho foi produzido em 1967 e corresponde ao 53.º Miura a abandonar a linha de Sant’Agata Bolognese. De origem, usava carroçaria no tom Giallo Miura (o amarelo conhecido) e habitáculo azul, ou Bleu Fintapelle.

Este Miura com o chassis #3195 tem, porém, um detalhe que o torna mais cobiçado. Por integrar o primeiro grupo de 120 Lamborghini Miura fabricados, é uma das unidades de «chassis fino». A lógica é simples.

Comparados com os restantes Miura, estes primeiros exemplares recorriam a painéis de aço com 0,9 mm de espessura, em vez de 1 mm, como passaria a ser mais tarde. É por isso que são tão disputados: além de serem mais leves, são também os que muitos consideram ter “maior pureza das suas linhas”.

O chassis #3195 foi entregue originalmente em Roma, Itália, e não é conhecido o momento - nem a forma - como acabou por atravessar o Atlântico até aos Estados Unidos. Sabe-se, isso sim, que chegou a Rudi Klein em junho de 1980, já afastado da estrada devido a um problema não especificado. Klein guardou-o na sua sala de modelos preferidos, onde permaneceu até hoje.

De acordo com a RM Sotheby’s, este lote poderá fechar entre 320 mil euros e 415 mil euros.

1968 Lamborghini Miura P400

O Miura de carroçaria verde é o n.º 159 de um total de 275 Lamborghini Miura construídos. Saiu em 1968 e continua a conservar o motor V12 e a carroçaria assinada pela Bertone. Ainda assim, já não apresenta o Giallo Miura original, exibindo agora a tonalidade “Bright Aqua Green”.

O Miura com o chassis #3417 foi vendido novo em Itália e mantém instrumentação em quilómetros. Estima-se que possa ter pertencido a Claudio Zampoli, então piloto de testes da marca, que também importava modelos para o sul da Califórnia.

Esse poderá ter sido o elo entre a Europa e os Estados Unidos que viabilizou a compra por Rudi Klein no final dos anos 70. E, mais uma vez, foi nessa fase que outro Miura entrou nas instalações de Klein - para nunca mais sair.

Por ser um exemplar com carroçaria e motor originais, a RM Sotheby’s aponta uma estimativa de 460 mil euros a 650 mil euros.

1969 Lamborghini Miura P400 S

O Lamborghini Miura de chassis #4070 é um P400 S - a evolução do modelo - e mantém a pintura azul com que deixou a fábrica de Sant’Agata Bolognese em 1969.

Esta versão traz diferenças de estilo na carroçaria, um interior com um salto de qualidade face ao primeiro P400, novos instrumentos e até vidros elétricos. O V12 de 4,0 l - igualmente original - recebeu também mais potência, passando a debitar 370 cv.

Segundo os registos da marca, este Miura teria sido inicialmente especificado em amarelo. Contudo, antes da entrega ao primeiro dono, a 20 de maio de 1969, foi repintado na própria fábrica para o azul que ainda hoje apresenta.

Depois de percorrer mais de 52 mil quilómetros - primeiro em Itália e, mais tarde, na Califórnia - este Lamborghini Miura sofreu uma colisão frontal em março de 1978, ficando inoperacional.

Foi então adquirido por Rudi Klein, que o estacionou e não efetuou qualquer reparação, mantendo-o assim até ao dia em que a RM Sotheby’s realizou a sessão fotográfica, em julho de 2024. Tal como refere a RM Sotheby’s, a venda poderá situar-se entre 460 mil euros e 650 mil euros.

O meio Miura

Fora do barracão reservado às preciosidades, há ainda um elemento curioso que ajuda a completar a narrativa. Em cima de uma Volkswagen Type 2 Pick-up de 1969 está pousada a secção dianteira de mais um Lamborghini Miura. Sim - apenas a frente.

Essa parte inclui o chassis, as rodas e alguns componentes mecânicos, tudo coberto pelo que resta do capô dianteiro. É difícil não imaginar que Rudi Klein pudesse ter pensado em unir esta secção dianteira ao Miura P400 S que já possuía; mas é uma resposta que, muito provavelmente, nunca existirá.

A secção dianteira do Miura de 1968 será vendida juntamente com a Volkswagen T2 Pick-up de 1969, no mesmo lote e exatamente no estado em que estão. Ainda assim, a estimativa aponta para 1800 euros a 2700 euros.

Para lá destes três Lamborghini Miura (e meio), o leilão da coleção de Rudi Klein inclui também um lote com um motor V12 deste desportivo italiano. Pelo número, pertenceu ao Miura S de chassis #4371, produzido em 1970.

Como apaixonados por automóveis, só nos resta esperar que todas estas unidades, metades e componentes encontrem o melhor destino possível. Depois do leilão, que decorre no próximo fim de semana na Califórnia, será apenas uma questão de tempo até as vermos num qualquer Concours d’Elegance.

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