Após a castração, muitas gatas e muitos gatos começam a ganhar peso de forma discreta, mas constante - e isso passa muitas vezes despercebido até surgirem os primeiros problemas de saúde.
Ao optar pela castração, está a proteger o seu animal de ninhadas indesejadas e a reduzir o risco de algumas doenças. Ao mesmo tempo, porém, o metabolismo muda de forma significativa. Por isso, é comum que os tutores só se apercebam tarde de que o gato está a ficar demasiado pesado. Nessa altura, articulações, coração e órgãos podem já estar sob maior esforço. A boa notícia é que, com algumas rotinas simples e bem direcionadas, dá para evitar esse cenário.
Porque é que gatos castrados engordam com tanta facilidade
Depois da castração, a necessidade energética de um gato diminui, em média, cerca de 20 a 30 por cento. Ou seja: o corpo passa a gastar claramente menos calorias, apesar de o animal parecer “o mesmo” por fora. Em muitos casos, acontece ainda o contrário do que se desejaria - o apetite aumenta, o pedido de comida intensifica-se e o gato tende a ficar mais tranquilo.
"A castração altera o equilíbrio hormonal: o gasto energético desce, a fome fica - uma combinação arriscada para a linha."
Se a quantidade de alimento não for ajustada, instala-se rapidamente um excesso calórico. Basta um pequeno “a mais” diário, de apenas alguns gramas, para que ao longo de meses se transforme em várias centenas de gramas de gordura acumulada. Este aumento gradual costuma ser notado apenas quando a barriga já está visivelmente arredondada.
Sinais físicos precoces de excesso de peso
Verificação das costelas com a mão
Uma das formas mais simples de avaliar a condição corporal é sentir as costelas. Passe uma mão aberta, com a palma plana, ao longo das laterais do tórax.
- Peso normal: as costelas sentem-se com clareza, sem ter de pressionar.
- Início de excesso de peso: as costelas parecem “acolchoadas” e é preciso exercer alguma pressão.
- Excesso de peso evidente: as costelas quase não se sentem, ou deixam de ser palpáveis.
Este pequeno teste demora segundos e dá uma indicação surpreendentemente fiável - mesmo sem balança.
Vista de cima: o gato ainda tem cintura?
Coloque-se atrás do animal e observe o corpo de cima. Num gato saudável, nota-se uma ligeira “cintura” logo atrás da caixa torácica. Se essa depressão desaparecer por completo, ou se a zona até começar a salientar para fora, geralmente há gordura a mais.
A barriga também dá pistas: quando balança por baixo do corpo uma “pancinha” mais larga e de aspeto mole, costuma ser sinal de depósitos de gordura. Uma pequena prega de pele pode ser genética; já um abdómen redondo e pesado, normalmente não.
Comportamento: o gato fica cada vez mais comodista?
O excesso de peso torna os gatos menos ativos. Quando estão a engordar, aparecem muitas vezes mudanças típicas como:
- brincam e “caçam” brinquedos durante muito menos tempo, ou deixam de o fazer;
- dormem mais e com maior frequência;
- aqueles momentos curtos de “corridas loucas” pela casa tornam-se mais raros.
Se a alteração de comportamento for muito marcada e súbita, vale sempre a pena pedir ao veterinário que confirme se não existe outra doença por trás.
Mobilidade e higiene corporal começam a falhar
Outro sinal inicial é o gato parecer mais desajeitado. Já não salta com a mesma confiança para o encosto do sofá, calcula mal um salto para o arranhador ou evita móveis mais altos que antes não eram problema.
A limpeza do pelo também denuncia o ganho de peso. Se o gato quase não consegue lamber o dorso ou a zona junto à base da cauda, pode estar com pouca mobilidade ou com volume a mais - frequentemente, as duas coisas. Nós, pelo empastado ou aspeto oleoso nessas áreas são avisos a levar a sério.
Pesagens regulares para confirmar
Para ter certeza, pese o gato cerca de uma vez por mês. Não precisa de ir à clínica para o fazer:
- Suba para uma balança de casa com o gato ao colo e registe o peso.
- Pese-se de seguida sem o animal.
- Subtraia o segundo valor ao primeiro - o resultado é o peso do gato.
Se o número for subindo devagar durante vários meses, é altura de agir. Mesmo um aumento de 200 a 300 gramas pode ser relevante num gato de 5 quilos.
Ajustar a alimentação: menos calorias, a mesma satisfação
Redução gradual depois da castração
Quando um gato é recentemente castrado, não convém cortar a comida de forma brusca de um dia para o outro. O mais sensato é reduzir a dose ao longo de duas a quatro semanas, até ficar cerca de um quarto abaixo da quantidade anterior.
Assim, o organismo adapta-se melhor à nova realidade. Cortes repentinos e acentuados costumam resultar em muita mendicidade por comida, frustração e, por vezes, até “roubos” na cozinha.
Que alimentação é adequada para gatos castrados
O ideal é uma dieta com proteínas de boa qualidade, mas com gordura em nível moderado e menos calorias por porção. Muitos fabricantes têm gamas específicas para animais castrados ou para gestão de peso.
"Rica em proteína, com gordura moderada e menos energia - assim a massa muscular mantém-se, enquanto os quilos a mais desaparecem."
Entre ração seca e comida húmida, a melhor opção depende do gato. A comida húmida tem mais água, ajuda a saciar mais depressa e pode reduzir o risco de cálculos urinários. A ração seca é fácil de dosear e funciona bem em tabuleiros de atividade e brinquedos dispensadores, que incentivam o movimento.
| Aspeto | Ração seca | Comida húmida |
|---|---|---|
| Teor de água | baixo | alto |
| Sensação de saciedade | muitas vezes menor | geralmente maior |
| Porcionamento | muito fácil | por latas/sachês |
| Adequação a jogos com comida | muito boa | limitada |
Controlar porções em vez de alimentar “a olho”
Muitos tutores colocam comida no comedouro “por instinto” - e isso quase sempre acaba por ser demasiado. Melhor é medir a dose diária total com um copo medidor ou balança de cozinha e dividi-la por duas ou várias refeições pequenas.
As quantidades indicadas na embalagem servem apenas como referência inicial. Um gato de exterior muito ativo precisa de mais do que um gato de apartamento mais calmo. Se sobrar comida com frequência, ou se o peso continuar a subir, ajuste a quantidade.
Snacks - raros e com intenção
Os petiscos acumulam calorias mais depressa do que muita gente imagina. Alguns bocados podem equivaler, em energia, a meia refeição principal. O mais sensato é:
- dar snacks apenas como exceção;
- definir um limite diário fixo;
- descontar as calorias dos petiscos da dose diária normal.
Se quiser mimar o gato, use pequenos pedaços de frango cozinhado ou um pouco de peixe sem tempero. Sem óleo, sem sal e sem molhos - e sempre em mini-porções.
Mais movimento: tornar o dia a dia “amigo dos gatos”
Organizar a casa para que mexer-se compense
Os gatos não precisam de “correr” para estarem bem, mas necessitam de estímulos para se mexerem. Algumas ideias fáceis de aplicar:
- colocar arranhadores e pranchas de arranhar a diferentes alturas;
- criar locais de janela com plataformas seguras para observar;
- disponibilizar caixas, grutas de manta e túneis como esconderijos;
- rodar brinquedos para evitar que tudo se torne aborrecido.
Apenas dez a quinze minutos de brincadeira ativa por dia - repartidos em várias sessões curtas - podem aumentar claramente o gasto calórico e ainda reforçar a ligação com o tutor.
Usar a comida como atividade
Em vez de servir toda a dose no comedouro, pode colocar uma parte em bolas dispensadoras, brinquedos de inteligência ou tabuleiros de atividade simples feitos em casa. Assim, o gato tem de “trabalhar” pela comida e, sem dar por isso, mexe-se mais.
Não subestimar os riscos de saúde do excesso de peso
O peso a mais não sobrecarrega apenas as articulações e a coluna. Os riscos vão de diabetes a hipertensão, passando por problemas cardiovasculares. Além disso, anestesias e cirurgias tornam-se mais arriscadas quando o animal é obeso.
Uma redução moderada, acompanhada pelo veterinário, diminui significativamente estes riscos. Dietas “relâmpago” são proibidas em gatos: podem causar lesões graves no fígado. A opção segura é perder peso devagar, de forma constante.
Quando deve mesmo ser o veterinário a avaliar
Se o gato estiver muito cansado, respirar com dificuldade, parecer ter fome o tempo todo ou continuar a engordar apesar da redução alimentar, o veterinário deve investigar se existem problemas como alterações da tiroide ou distúrbios metabólicos.
Na consulta, é possível classificar a condição corporal de forma profissional, definir um peso-alvo realista e criar um plano alimentar adequado à idade, atividade e estado de saúde do animal.
Dicas práticas para o dia a dia dos tutores
- registar peso e quantidade de alimento num caderno pequeno ou numa app;
- tirar fotos uma vez por mês, de cima e de lado;
- marcar sessões de brincadeira como um compromisso que não se adia;
- alinhar com todos os membros da família para que ninguém alimente “às escondidas”;
- introduzir mudanças de rotina aos poucos, em vez de mudar tudo de uma vez.
Ao reparar cedo em pequenas alterações, evita muitos problemas de saúde ao seu gato. A castração não tem de significar inevitavelmente rolinhos de gordura - com alimentação ajustada, mais atividade no quotidiano e atenção regular, o seu gato mantém-se ágil e saudável por muito mais tempo.
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