Quando o verão chega, a mistura de calor com maior atividade costuma traduzir-se em mais transpiração.
E ainda bem: o suor é o nosso sistema pessoal de arrefecimento por evaporação. A maioria de nós elimina pelo menos meio litro por dia - e isso ainda antes de qualquer exercício mais intenso.
O problema é que suar também pode agravar o mau odor corporal. Para o controlar, muitos recorrem diariamente a um antitranspirante ou a um desodorizante. Apesar de ambos serem aplicados nas axilas, são produtos diferentes e atuam de formas distintas.
Perceber esta diferença ajuda-o a ajustar a sua rotina e os seus produtos de higiene - e a manter o mau cheiro à distância.
O suor não tem cheiro
Para perceber como funcionam os produtos para as axilas, é preciso começar por identificar de onde vem o cheiro desagradável.
O suor libertado pelo nosso corpo é, na realidade, inodoro. Surge sobretudo a partir de dois tipos de glândulas: as écrinas e as apócrinas.
As glândulas sudoríparas écrinas - responsáveis pela maior parte da transpiração - estão distribuídas por grande parte do corpo. Tendem a libertar um suor maioritariamente aquoso, essencial para a termorregulação. Esse suor inclui também eletrólitos e pequenas quantidades de outras substâncias que, em geral, não originam maus odores.
Já as glândulas sudoríparas apócrinas, localizadas sobretudo nas axilas e na zona da virilha, produzem um suor mais oleoso, com proteínas, açúcares e lípidos. Também este suor é inodoro no momento em que é produzido.
O cheiro aparece porque vários tipos de bactérias que vivem na pele se alimentam desse suor e, ao fazê-lo, geram substâncias voláteis e malcheirosas. É isso que causa o odor corporal - e alguns destes compostos conseguem ser detetados pelo nariz em concentrações da ordem de 10^-12 grama por litro de ar. As glândulas apócrinas tendem a ficar mais ativas a partir do início da puberdade.
Para combater estes odores, recorremos a antitranspirantes ou desodorizantes. Embora as palavras sejam muitas vezes usadas como sinónimos, o nome de cada produto descreve, na verdade, o mecanismo específico com que atua.
O que fazem os antitranspirantes
De forma geral, os antitranspirantes funcionam todos de maneira semelhante: incluem ingredientes ativos que impedem o corpo de libertar suor logo à partida.
Esses ingredientes são, normalmente, sais com metais, sendo mais comum encontrar cloridrato de alumínio, sesquicloridrato de alumínio, cloreto de alumínio ou um composto de zircónio-alumínio.
Ao combinarem-se com água e outras moléculas dentro da glândula sudorípara, formam um tampão temporário que bloqueia a passagem do suor até à superfície da pele. Com isso, as bactérias ficam sem as substâncias de que se alimentam para produzir os odores indesejados.
O que fazem os desodorizantes
Os desodorizantes seguem outra lógica: deixam o suor chegar à pele, mas impedem que o odor seja libertado - ou que se torne percetível. Para isso, recorrem a diferentes tipos de ingredientes.
Alguns desodorizantes incluem agentes antimicrobianos, pensados para reduzir a população de microrganismos responsável por produzir moléculas odoríferas. Outros são essencialmente perfumes, usados para disfarçar os odores indesejados.
Também podem ser adicionados compostos que funcionam como absorvedores de odor, ligando-se a moléculas voláteis e, por vezes, absorvendo igualmente alguma humidade.
Por fim, certos ingredientes ativos podem alterar o pH local da pele, tornando o ambiente menos favorável ao crescimento bacteriano.
Há ainda outras abordagens - atualmente em desenvolvimento - que procuram bloquear a produção de odores pelas bactérias ou neutralizar precursores do odor antes de estes serem consumidos.
Também existe alguma sobreposição
Para lá dos ingredientes principais, é habitual que um produto para as axilas traga outros aditivos: para atuar como conservante, dar um aroma agradável, facilitar a aplicação e melhorar a sensação do produto na pele.
Se o seu objetivo for apenas reduzir o cheiro, um desodorizante pode ser suficiente. Se também quiser transpirar menos, então o que procura é um antitranspirante. Se não conseguir escolher, saiba que muitos produtos combinam as duas estratégias - por exemplo, um antitranspirante com fragrância muito marcada, ou antitranspirantes com ingredientes antimicrobianos.
Como acontece com muitos bens de consumo, há quem prefira uma opção por motivos pessoais ou pelos resultados que obtém. E, à medida que envelhecemos e mudamos hábitos, o corpo pode reagir de forma diferente a estes produtos; por isso, poderá ser necessário algum período de tentativa e erro - e, nalguns casos, até aconselhamento médico.
E os desodorizantes “naturais”?
Apesar de um rumor, lançado por uma fraude divulgada por email, a investigação baseada em evidência indica que os antitranspirantes à base de alumínio são seguros e não representam riscos para a saúde.
Ainda assim, os desodorizantes “naturais” são populares por várias razões. Mesmo quando recorrem a ingredientes ativos diferentes dos desodorizantes “regulares”, o modo de atuação tende a ser o mesmo: antibacteriano, mascarar o cheiro, absorver humidade, ou uma combinação destas abordagens.
Um ingrediente ativo frequente em fórmulas “naturais” é o bicarbonato de sódio, utilizado para absorver humidade e odores e para modificar o pH das axilas. Certos óleos essenciais, valorizados pelo aroma e pelas propriedades antimicrobianas, também são comuns.
Importa sublinhar que um produto ser “natural” não significa, por si só, que seja mais seguro. Aliás, alguns ingredientes alternativos presentes em desodorizantes não foram testados de forma tão exaustiva em termos de segurança.
Outros acarretam riscos semelhantes aos dos equivalentes sintéticos - por exemplo, a possibilidade de as bactérias desenvolverem resistência antimicrobiana tanto a ingredientes sintéticos como a naturais, incluindo óleos essenciais.
Daniel Eldridge, Professor Sénior (Química), Swinburne University of Technology
Este artigo foi republicado a partir de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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