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Donald Trump põe fim ao penny de 1 cêntimo nos Estados Unidos

Mão a colocar moeda num frasco com moedas numa mesa com duas calculadoras e jornais.

As portas fecham-se para o célebre penny: por ordem de Donald Trump, os Estados Unidos deixam de produzir moedas de 1 cêntimo, num sinal claro de transformação num mundo cada vez mais digital.

O último penny em Filadélfia e a história da moeda

Há poucos dias, na lendária fábrica de Filadélfia, as prensas da U.S. Mint cunharam a derradeira moeda de 1 cêntimo. O momento é carregado de simbolismo: foi precisamente nesta cidade - antiga capital dos Estados Unidos - que o primeiro penny saiu da linha de produção há mais de 230 anos.

Lançada em 1793, a moeda atravessou gerações e foi sendo alterada várias vezes, sobretudo no tamanho. Desde 1909, exibe o rosto de Abraham Lincoln e, com o passar das décadas, tornou-se um pequeno talismã para muitos norte-americanos. As últimas unidades cunhadas, identificadas por um discreto símbolo "Omega", serão leiloadas e nunca chegarão a circular.

Porque é que os Estados Unidos abandonam a sua moeda de 1 cêntimo

A decisão prende-se, acima de tudo, com números. De acordo com o Tesouro norte-americano, produzir uma única moeda passou a custar 3,69 cêntimos, devido ao aumento do preço das matérias-primas necessárias, em particular o cobre e o aço, cujas cotações dispararam nos últimos anos.

A conta era ainda agravada pelos mecanismos de segurança criados para travar a contrafacção. Em 2024, a U.S. Mint registou perdas superiores a 85 milhões de dólares associadas ao penny, o que levou Trump a ordenar o fim deste "desperdício" orçamental.

O que muda para consumidores e comerciantes

Apesar do fim da produção, a moeda não é eliminada de imediato: cerca de 300 mil milhões de moedas continuam em circulação nos Estados Unidos e mantêm-se todas como moeda legal. Ainda assim, houve comerciantes a contestar a medida, argumentando que não tiveram tempo suficiente para se adaptarem à sua aplicação.

Um debate que já atravessou o Atlântico

A medida reabre uma discussão bem mais vasta: num cenário em que os pagamentos digitais se tornam regra, ainda faz sentido manter moedas de valor tão reduzido?

Enquanto a Suíça avança no sentido de reduzir o uso de dinheiro físico, a União Europeia determinou que, a partir de 2027, um particular deixará de poder pagar mais de 10 000 euros em numerário. Além disso, as moedas de 1 cêntimo de euro já foram afastadas em países como a Bélgica, a Finlândia, a Irlanda, a Itália e os Países Baixos.

Se, por agora, a França não seguiu esse caminho, o crescimento acelerado do pagamento sem contacto e a discussão sobre a utilidade das moedas de baixo valor poderão vir a colocar o tema na agenda política.

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