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Saúde mental, psicoterapia e estudantes: a história de Nasrine e o que os pais podem aprender

Mãe conversa de forma atenta com filha sentadas no sofá, com caderno e livros numa mesa à frente.

Muitos pais dos estudantes de hoje conhecem a psicoterapia apenas através de filmes ou de rumores exagerados. Para os seus filhos, pelo contrário, a saúde mental é um assunto muito concreto - capaz de influenciar a desistência do curso ou as oportunidades de futuro. Na linha da frente destes conflitos geracionais silenciosos está uma jovem como a Nasrine, cuja frase “A minha mãe achava que os psicólogos eram só para malucos” se torna símbolo de uma forma de pensar ainda muito comum.

Quando a força é confundida com silêncio

A Nasrine cresce num ambiente familiar onde aguentar tudo é visto como a maior virtude. Nada de queixas, nada de lamentos: é para funcionar. Os problemas resolvem-se sozinho e, de preferência, sem fazer barulho. Emoções? Mais um incómodo. Fragilidade? Um perigo.

Quando, aos 24 anos, começa a desenvolver problemas psicológicos sérios, não se sente capaz de falar sobre isso - nem com os pais, nem com amigas, nem na universidade. Ela percebe: há algo errado. Mas o “guião” interior repete-lhe que tem de ser “forte”.

Estar sempre rodeada de pessoas - e, ainda assim, sentir-se completamente sozinha. Esta solidão por dentro atinge muitos jovens adultos.

Essa mesma divisão aparece em estudos. Um barómetro jovem sobre saúde mental aponta:

  • Mais de metade dos estudantes não se sente psicologicamente saudável.
  • Cerca de 60 por cento mostram sinais de sofrimento emocional grave.
  • Aproximadamente 38 por cento ponderam desistir do curso por motivos psicológicos.

Apesar destes números dramáticos, uma grande parte dos afetados não procuraria um gabinete de aconselhamento nem apoio psicológico na instituição de ensino. O receio de parecer “fraco” é profundo. Muitos trazem isto desde a infância: quem precisa de ajuda é “esquisito” ou “não está bem da cabeça”.

Como uma única frase pode marcar uma vida

Na família da Nasrine, uma frase resume esta mentalidade: os psicólogos seriam “só para malucos”. A mãe não o diz por mal; limita-se a repetir o que aprendeu e, sem se aperceber, transmite-o. Mas, para a filha, o impacto é real.

Sempre que pensa em procurar ajuda, a frase reaparece na sua cabeça. A mensagem é clara: se fores a um psicólogo, deixas de ser “normal”. É assim que muitos jovens se falam a si próprios por dentro:

  • “De certeza que estou só a exagerar.”
  • “Os outros conseguem sozinhos, porque é que eu não consigo?”
  • “Se os meus pais soubessem, ficavam desiludidos.”

Frases destas fecham os jovens numa gaiola invisível: a ajuda existe, mas falta a permissão interior.

Ao mesmo tempo, estes jovens vivem num mundo onde a saúde mental é tema recorrente. No TikTok, por exemplo, a hashtag relacionada com Mental Health soma milhares de milhões de visualizações. Em frente à câmara, jovens contam como se sentem, misturam humor com dor e filmam vídeos em “POV” a recriar ataques de pânico ou dias depressivos.

O retrato é paradoxal: fala-se publicamente de problemas psicológicos como nunca. Mas, atrás de portas fechadas, continuam a existir pais que dizem frases “de antigamente” - e filhos que não ousam contrariá-las.

O ponto de viragem: “Está bem não estar bem”

O ponto de mudança para a Nasrine surge quando encontra uma iniciativa estudantil: uma linha anónima de telefone e chat, onde estudantes estão disponíveis para apoiar outros estudantes. Baixa barreira de acesso, sem diagnósticos, sem rótulos.

Ao início, hesita: escreve mensagens, apaga-as, pousa o telemóvel. Até que, a certa altura, já não aguenta a tensão interna e faz a chamada. Do outro lado, uma voz com idade semelhante - sem julgamentos, sem moralismos, apenas a escutar.

Nessas conversas, aprende algo que nunca lhe tinham ensinado: é permitido sentir-se mal. Não se é um caso “especial” nem um “problema” só por precisar de ajuda. Aos poucos, a ideia de um dia falar com um psicólogo passa a ser, pelo menos, possível.

O verdadeiro avanço não está na primeira consulta com o terapeuta, mas no momento anterior: quando alguém diz “sim” à ajuda por dentro.

Mais tarde, a antiga pessoa que procurava apoio transforma-se em apoio para outros. A Nasrine começa a fazer voluntariado na linha. Reconhece os pensamentos de quem liga, porque já foram os dela. Percebe a vergonha nos silêncios entre duas frases. E sabe o quanto custa, só por si, marcar o número.

O que os pais podem aprender com esta história

Esta história não é um caso isolado. Reflete a vivência de muitos estudantes e mostra como certas frases e atitudes parentais continuam a ecoar, mesmo na idade adulta.

Quem quer apoiar os filhos pode começar por vários pontos:

1. repensar expressões antigas

Dizer coisas como “Ganha juízo”, “Não faças disso um drama” ou “Terapia é só para doentes” pode parecer inofensivo, mas tem um efeito forte - e negativo. A mensagem implícita é: os teus sentimentos não importam; estás errado por os levares a sério.

Mudar o tom faz diferença. Em vez de desvalorizar, os pais podem dizer:

  • “Estou a ver que não estás bem neste momento.”
  • “Não percebo muito do assunto, mas quero entender o que se passa.”
  • “Se quiseres falar com alguém profissional, eu apoio-te.”

2. falar de saúde mental antes de a situação rebentar

Muitas famílias só reagem quando já há crise: o colapso antes dos exames, o isolamento no quarto, a discussão aberta. É mais útil tornar estes temas parte do dia a dia, com naturalidade - tal como se fala de escola, trabalho ou dinheiro.

Frase que bloqueia Frase que abre
“Há pessoas bem pior do que tu.” “Quão pesado é isto para ti - numa escala de 1 a 10?”
“As épocas de exames são assim, habitua-te.” “O que te ajudaria a aguentar melhor a próxima época de exames?”
“Psicólogo? Isso é exagero.” “Se quiseres experimentar, podemos ver juntos onde consegues uma consulta.”

3. ouvir, em vez de aparecer logo com soluções

Muitos pais entram automaticamente no modo “conselheiro”: dão dicas, oferecem receitas, comparam com a própria juventude. Para filhos e jovens adultos, isso pode soar a recusa.

É mais útil estar presente primeiro. Fazer perguntas, aprofundar, e depois tolerar também as pausas. Quando alguém se sente verdadeiramente ouvido, ganha por aí uma parte da estabilidade de volta.

Porque a terapia não é um sinal de fraqueza

Em muitas cabeças, a equação continua a ser teimosa: psicoterapia = perturbação grave. No entanto, muitas vezes trata-se de outra coisa: sobrecarga, ansiedade, humor deprimido, dúvidas sobre si próprio. Coisas que, numa sociedade orientada para o desempenho, rapidamente se tornam difíceis de gerir.

A terapia pode ajudar a identificar padrões herdados da família de origem - como a proibição de mostrar emoções ou a pressão para parecer sempre forte. Ao compreender isso, torna-se mais fácil escolher, com mais liberdade, como lidar com stress, conflitos ou derrotas.

Os estudantes beneficiam particularmente porque atravessam uma fase em que tudo acontece ao mesmo tempo: sair de casa, mudar de cidade, novos amigos, pressão académica, primeiras relações sérias. Com apoio no meio desse turbilhão, não é preciso cair primeiro num buraco muito fundo.

O que alimenta a revolução silenciosa da geração mais nova

Nas redes sociais, muitos jovens falam abertamente sobre fases depressivas, ataques de pânico ou a sensação de estarem a afundar-se no curso. Isso pode ser desencadeante, mas também pode aliviar: “Não sou a única a sentir isto.”

Ao mesmo tempo, permanece uma camada de medo. Pais, avós, colegas de famílias mais conservadoras - todos observam. Por isso, muitos jovens acabam por viver uma vida dupla: online falam de saúde mental com abertura; em casa, colocam um sorriso no rosto.

É aqui que está a oportunidade: quando os pais começam a levar essa abertura a sério, em vez de a ridicularizar, a saúde mental deixa de ser uma nota de rodapé e passa a ocupar um lugar central na vida familiar. Uma conversa normal, já não um tabu.

Quem, como mãe ou pai, percebe que o reflexo interno ainda é “Não faças disso um drama”, pode usar isso como sinal para aprender mais: livros, podcasts, serviços de aconselhamento, talvez até conversas próprias com profissionais. Os filhos percebem muito bem quando os adultos estão dispostos a evoluir.

A história da Nasrine mostra como o preconceito e as respostas de ajuda podem estar lado a lado. Uma frase da mãe pode bloquear durante anos - e uma chamada anónima para uma linha de apoio entre estudantes pode virar tudo do avesso. Entre esses dois polos decide-se se os jovens encontram coragem para procurar ajuda a tempo.


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