Actualmente, poucas metrópoles concentram uma fatia gigantesca da humanidade - com oportunidades impressionantes, mas também com problemas duros e imediatos.
A população mundial aumenta todos os anos em dezenas de milhões de pessoas e, em vez de se fixar no meio rural, uma parcela cada vez maior acaba em enormes áreas urbanas. As megacidades com mais de 20 milhões de habitantes deixaram de ser raridade. Ao olhar para as maiores cidades do planeta neste momento, percebe-se a velocidade desta transformação - e o impacto que tem no quotidiano, no ambiente e na qualidade de vida.
Megacidades em resumo: Tóquio lidera o ranking
A maior cidade do mundo é Tóquio - com quase 37 milhões de pessoas na área metropolitana alargada. A seguir surgem sobretudo megacidades asiáticas.
Os números têm origem nas “World Urbanisation Prospects” das Nações Unidas, trabalhados através da World Population Review. O que se contabiliza não são apenas os limites administrativos do município, mas sim as regiões metropolitanas completas. Desta forma, obtém-se uma leitura mais fiel de onde as pessoas vivem, na prática, num contínuo urbano.
| Rang | Stadt | Land | Einwohner (Metropolregion, ca.) |
|---|---|---|---|
| 1 | Tóquio | Japão | 36.953.600 |
| 2 | Deli | Índia | 35.518.400 |
| 3 | Xangai | China | 31.049.800 |
| 4 | Dhaka | Bangladesh | 25.359.100 |
| 5 | Cairo | Egipto | 23.534.600 |
| 6 | São Paulo | Brasil | 23.168.700 |
| 7 | Cidade do México | México | 23.016.800 |
| 8 | Pequim | China | 22.983.400 |
| 9 | Mumbai | Índia | 22.539.300 |
| 10 | Osaka | Japão | 18.873.900 |
A supremacia asiática é evidente. Nove das dez maiores regiões metropolitanas situam-se na Ásia ou na América Latina; a Europa, nesta elite, nem sequer aparece. É um indicador claro de onde a onda de urbanização global está a ganhar mais força.
Tóquio: colosso de alta tecnologia num país a encolher
Com quase 37 milhões de habitantes, Tóquio é a maior cidade do mundo. A sua região metropolitana estende-se por mais de 8.200 quilómetros quadrados. O japonês é a língua oficial, mas no dia a dia - especialmente nas zonas de negócios - ouve-se muito inglês.
Na mesma paisagem convivem arranha-céus futuristas, néones e lojas de electrónica com templos e santuários de vários séculos. Robôs a servir clientes, casas de banho “inteligentes” que falam, comboios rápidos com intervalos de minutos: em muitos pontos, Tóquio parece uma janela aberta para o futuro. Ainda assim, a origem foi modesta - um pequeno povoado piscatório chamado Edo. Só depois de, em 1868, o imperador ter mudado a residência de Quioto para Edo é que a cidade recebeu o nome actual e se afirmou como capital.
Há um ponto sensível: o Japão, no seu conjunto, está em declínio demográfico. A longo prazo, isso pode fazer com que Tóquio perca a liderança, à medida que outras regiões do mundo continuem a crescer rapidamente. Por agora, contudo, esta área urbana mantém-se como o peso-pesado entre as megacidades.
Entre cerejeiras em flor e um vulcão
É na primavera que Tóquio revela um lado mais delicado: a floração das cerejeiras, chamada “Sakura” em japonês, transforma parques e margens de rios em nuvens cor-de-rosa. No Parque Ueno existem mais de mil cerejeiras, que todos os anos atraem milhões de visitantes. Ao mesmo tempo, a cerca de 100 quilómetros a oeste, o icónico Fuji eleva-se no horizonte - um estratovulcão, montanha sagrada do xintoísmo e símbolo do país. Em dias limpos, o cume distingue-se ao longe a partir da área urbana.
Deli: crescimento sem travões
Com mais de 35,5 milhões de pessoas, Deli ocupa o segundo lugar entre as maiores cidades do mundo. A conurbação cobre aproximadamente 2.200 quilómetros quadrados. Hindi e inglês dominam no espaço público, mas também se ouvem dezenas de línguas regionais.
A cidade resulta do contraste entre a antiga e densíssima Old Delhi e a mais planeada New Delhi, ampliada pelos britânicos durante o período colonial como centro administrativo. Avenidas largas, edifícios governamentais monumentais e arquitectura colonial dão a esta zona um ar quase europeu.
Em paralelo, Deli continua a expandir-se a um ritmo recorde. As previsões apontam para mais de 43 milhões de habitantes em 2035. Uma parte substancial deste aumento vem da migração do campo, onde a pobreza e a falta de perspectivas empurram muitos para as grandes metrópoles.
Engarrafamentos, smog, bairros de lata - e ainda assim um íman
Viver Deli no dia a dia é lidar com congestionamento permanente, multidões compactas, ruído intenso e cheiros fortes - desde as bancas de rua até à drenagem a céu aberto. Nas zonas de bairros de lata de Old Delhi, vivem bem mais de um milhão de pessoas em espaços mínimos. A poluição do ar está entre as mais elevadas do planeta. O governo tenta contrariar a situação, por exemplo convertendo autocarros, táxis e riquexós motorizados para gás natural. Apesar de tudo, a cidade continua a ser o grande motor económico e cultural do norte da Índia.
Xangai: de aldeia piscatória a motor financeiro
Com pouco mais de 31 milhões de habitantes, Xangai é a maior cidade da China. A sua região metropolitana ultrapassa os 4.000 quilómetros quadrados. A língua oficial é o chinês padrão (mandarim), embora localmente se destaque o dialecto Wu de Xangai.
Durante muito tempo, Xangai foi apenas um porto de pesca sem grande relevância, até que, em 1842, tropas britânicas assumiram o controlo da cidade após a Primeira Guerra do Ópio. Surgiram áreas de concessão estrangeira com administração própria - um pólo de atracção para comércio e banca. Assim, Xangai transformou-se num dos centros financeiros mais importantes da Ásia.
Depois de 1949, com a chegada dos comunistas ao poder, impostos elevados e controlo estatal travaram o dinamismo. Só com as reformas económicas a partir de 1992 é que a carga fiscal diminuiu, o investimento disparou e Xangai cresceu, em alguns anos, a ritmos de dois dígitos. Hoje, arranha-céus envidraçados, centros comerciais e bolsas alinham-se junto ao Huangpu, enquanto jardins e templos tradicionais da era Ming permanecem como ilhas de memória histórica.
Dhaka: densidade extrema e risco climático
Cerca de 25,4 milhões de pessoas concentram-se em Dhaka, capital do Bangladesh, em aproximadamente 1.600 quilómetros quadrados. Isto coloca-a entre os locais mais densamente povoados do planeta. A principal língua é o bengali.
Dhaka tem um passado marcante como capital do Império Mogol e como centro de comércio de tecidos finos, como o musselina. Actualmente, o crescimento da metrópole é alimentado sobretudo pela industrialização e pela expansão do sector financeiro. O contraste urbano é forte: no sul, um labirinto de ruelas, mercados e bairros de lata; no norte, novos bairros residenciais e complexos de escritórios.
Um dos maiores perigos é o clima: durante a época das monções, há quase todos os anos inundações severas. As águas atingem com especial dureza as zonas mais pobres, onde a infra-estrutura é frágil.
De Cairo a Osaka: a diversidade das megacidades
Do quinto ao décimo lugar, percebe-se como as megacidades podem ser muito diferentes - e, ainda assim, partilhar desafios semelhantes:
- Cairo (Egipto, ca. 23,5 Mio.): combinação de história com milhares de anos, arquitectura islâmica, arranha-céus modernos e um crescimento populacional explosivo ao longo do Nilo. Ali perto: as Pirâmides de Gizé, erguidas há cerca de 4.500 anos.
- São Paulo (Brasil, ca. 23,2 Mio.): motor económico da América do Sul, nascida de uma missão jesuíta e enriquecida com o café. Hoje é um centro financeiro com enorme desigualdade social e a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão.
- Cidade do México (México, ca. 23,0 Mio.): construída sobre as ruínas da capital asteca Tenochtitlán, cercada por vulcões. Crescimento populacional forte desde as crises do petróleo dos anos 1980, vastos bairros de lata, problemas de lixo e de água e, ao mesmo tempo, coração cultural da América Latina.
- Pequim (China, ca. 23,0 Mio.): centro político da China, com 3.000 anos de história urbana, sede de multinacionais, acesso à Grande Muralha e à Cidade Proibida. Programas massivos contra o smog melhoraram de forma visível a qualidade do ar.
- Mumbai (Índia, ca. 22,5 Mio.): desfiladeiros de arranha-céus encostados a bairros de chapas metálicas, centro financeiro e casa da indústria cinematográfica “Bollywood”. Mais de metade da população vive em bairros de lata.
- Osaka (Japão, ca. 18,9 Mio.): antiga capital, pólo financeiro e comercial com tradição relevante de bolsa. É conhecida como a “Küche Japans”, por ser origem de muitos pratos e técnicas culinárias típicas.
Porque é que estas cidades crescem tanto?
Por trás de dimensões tão extremas, há factores que se repetem. A maioria destas metrópoles é:
- Centro político, com sede de governo ou estatuto de capital
- Nó económico, com bolsas, portos ou grandes zonas industriais
- Pólo de atracção migratória para quem vem do campo, onde rendimentos e oportunidades tendem a ser muito mais baixos
- Ponto-chave de transportes, com aeroportos internacionais e redes densas de comboios, estradas ou ambas
Para muitas pessoas, mudar-se para uma grande cidade significa procurar emprego, educação e cuidados de saúde. Em contrapartida, infra-estruturas, mercado de habitação e ambiente ficam sob enorme pressão. Smog, engarrafamentos, escassez de água e falhas na gestão de resíduos são problemas recorrentes - e tornam-se especialmente visíveis em bairros de lata e assentamentos informais.
Como as megacidades influenciam o nosso dia a dia
Mesmo quem vive longe sente o peso destas concentrações urbanas. Fluxos financeiros com origem em Xangai, decisões tecnológicas tomadas em Tóquio ou mudanças de rumo político em Pequim reflectem-se directamente nas cadeias de abastecimento, nos preços da energia e nos mercados europeus. Produções cinematográficas de Mumbai, música de São Paulo ou tendências da Cidade do México moldam a cultura pop e as redes sociais.
Ao mesmo tempo, estas cidades ilustram respostas muito diferentes ao crescimento: Tóquio e Osaka investem há décadas em transportes públicos eficientes e protecção contra catástrofes; Pequim reduz a poluição do ar com regras rígidas; na Cidade do México e em Dhaka, as autoridades enfrentam o desafio de lixeiras ilegais e de inundações recorrentes. Nem todas as medidas têm efeitos imediatos, mas estas metrópoles acabam por funcionar como laboratórios de novas tecnologias e de soluções de planeamento urbano.
Quem lê estes números percebe até que ponto o centro de gravidade da humanidade se deslocou para imensos aglomerados urbanos. A forma como Tóquio, Deli ou Xangai lidarem com os seus desafios ajudará, no fim, a determinar quão habitável continuará a ser o planeta - tanto para quem vive em cidades como para quem escolhe permanecer no campo.
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